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Queimaduras e contaminação: especialistas alertam para os perigos de utilizar álcool em gel caseiro

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Fuja do álcool em gel caseiro!

Muitas pessoas não estão conseguindo comprar álcool em gel e máscaras para vender e, por isso, começaram a aparecer receitas caseiras – e perigosas. Acontece que especialistas tiraram dúvidas sobre o tema. E eles destacam: receitas caseiras de álcool em gel não são eficazes e ainda podem ser perigosas. O vírus que estamos lidando ainda é desconhecido e o uso inadequado do álcool pode potencializar infecções, alergias e erupções cutâneas.

O professor titular da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Gerson Pianetti, afirma com certeza que álcool em gel caseiro não funciona e não é recomendado fazê-lo em casa. “O álcool em gel se tornou a estrela da temporada, mas acontece o seguinte: o vírus tem uma capa de gordura. E, para matá-lo, é necessário ‘furar’ essa capa de gordura. Quando você lava as mãos com o sabonete líquido, com o sabonete embarra e até com shampoo, o vírus é eliminado. O mesmo funciona com o álcool em gel”, afirma o professor. O especialista esclarece que o álcool em gel é feito em um espaço isento da contaminação de qualquer micro-organismo e que qualquer receita caseira não deve ser reproduzida. Em meio a tantos vídeos sendo divulgados pela internet mostrando “como fazer” o produto, inclusive na sua própria cozinha, o especialista afirma: “É completamente irresponsável publicar esse tipo de vídeo. Imagine o quanto esse material de cozinha pode estar contaminado”, ressaltou.

O professor Márcio de Matos Coelho, que atua na Faculdade de Farmácia da UFMG, esclarece que agências regulatórias não orientam e nem recomendam que as pessoas façam o produto em casa. “As substâncias gelificantes geralmente só são encontradas em distribuidoras de produtos químicos e não no mercado tradicional. O preparo do álcool gel deve ser feito de forma correta para que a atividade antimicrobiana aconteça”, afirmou.

O médico dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Lucas Miranda declara que o verdadeiro problema na manufatura caseira desses produtos se ampara em dois problemas: “Primeiro, pode causar algum dano à pele, como dermatites irritativas. E, segundo, pode não propiciar defesa adequada aos microrganismos. A concentração de álcool, a estabilidade química, o tempo de evaporação do ativo são variáveis que impactam diretamente na eficácia do produto. Estamos em uma época crítica e seria arriscado demais usar substâncias não comprovadas para evitar propagação da epidemia”, afirma. Ainda conforme ele, a mistura apresentada na realização das receitas caseiras, pode causar grave irritação da pele e mucosas e queimaduras de diversos graus.

Além disso, viralizou nas redes sociais uma receita utilizando gelatina transparente. O farmacêutico Gerson destaca: “A gelatina é apenas uma das maiores fontes de contaminação de micro-organismos” Especialistas ainda destacam que o álcool em gel caseiro pode realmente potencializando infecções, alergias e erupções cutâneas. “O efeito, em vez de positivo, pode ser totalmente reverso, causando irritações, inflamações, queimaduras, dentre outros. Às vezes, pode acontecer de não apresentar nenhum efeito colateral, mas não culminará em uma proteção efetiva contra o novo vírus”, completou o dermatologista.

Fonte: diariodepernambuco